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Técnica que oculta informações roubadas em imagens é cada vez mais usada entre hackers

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07/08/2017

Durante a análise de diversas campanhas de espionagem e crimes virtuais, pesquisadores identificaram uma nova tendência preocupante: hackers estão usando cada vez mais a esteganografia, a versão digital de uma técnica antiga para ocultar mensagens em imagens de modo a encobrir as pistas de sua atividade maliciosa no computador invadido.

Recentemente, foram descobertas várias operações de malware voltadas à espionagem virtual e diversos exemplos de malwares criados para roubar informações financeiras que utilizam essa técnica.

Da mesma forma que nos ataques virtuais direcionados típicos, o agente da ameaça, depois de invadir a rede atacada, se estabelece e coleta informações valiosas para depois transferi-las para o servidor de comando e controle (C&C). Na maioria dos casos, as soluções de segurança confiáveis ou as análises de segurança feitas por profissionais são capazes de identificar a presença do agente da ameaça na rede em cada estágio do ataque, inclusive durante a extração de dados. Isso porque, durante a extração, são deixados rastros, como o registro de conexões com um endereço IP desconhecido ou incluído em listas negras. No entanto, quando se usa a esteganografia, a tarefa de detectar a extração de dados torna-se complicada.

Nesse cenário, os usuários maliciosos inserem as informações que serão roubadas diretamente no código de um arquivo comum de imagem ou de vídeo, que é então enviado para o servidor C&C. Dessa forma, é pouco provável que esse evento acione qualquer alarme de segurança ou tecnologia de proteção de dados. Após a modificação pelo invasor, a própria imagem não é alterada visualmente; seu tamanho e a maioria dos outros parâmetros também permanecem iguais e, assim, ela não seria motivo de preocupação. Isso torna a esteganografia um método lucrativo para os agentes mal-intencionados como opção de extração de dados de uma rede invadida.

Nos últimos meses, os pesquisadores observaram pelo menos três operações de espionagem virtual que utilizam essa técnica. E, mais preocupante, ela também está sendo ativamente adotada por criminosos virtuais regulares, além dos agentes de espionagem virtual. Os pesquisadores detectaram sua utilização em versões atualizadas de cavalos de Troia como o Zerp, ZeusVM, Kins, Triton e outros. A maioria dessas famílias de malware, de modo geral, visa organizações financeiras e usuários de serviços financeiros. Isso pode ser um indício da iminente adoção dessa técnica em grande escala pelos criadores de malware, o que tornaria a detecção do malware mais complexa.

“Embora não seja a primeira vez que observamos uma técnica maliciosa originalmente usada por agentes de ameaças sofisticadas encontrar espaço no cenário do malware convencional, o caso da esteganografia é especialmente importante. Até o momento, não foi descoberta uma forma segura de detectar a extração de dados conduzida dessa maneira. As imagens usadas pelos invasores como ferramenta de transporte das informações roubadas são muito grandes e, embora haja algoritmos que poderiam indicar o uso da técnica, sua implementação em grande escala exigiria enorme capacidade de computação e seus custos seriam proibitivos”, explica Alexey Shulmin, pesquisador de segurança.

Por outro lado, observa o pesquisador, é relativamente fácil identificar uma imagem “carregada” com dados sigilosos roubados pela análise manual. Esse método, no entanto, tem limitações, pois um analista de segurança seria capaz de analisar um número muito limitado de imagens. “Talvez a resposta esteja na mistura dos dois. Em nossos Laboratórios, usamos uma associação de tecnologias de análise automatizada com o conhecimento humano para identificar e detectar esses ataques. Contudo, essa área ainda deve ser aperfeiçoada, e o objetivo de nossas investigações é chamar a atenção do setor para a questão e impor o desenvolvimento de tecnologias confiáveis, mas financeiramente viáveis, que permitam a identificação da esteganografia nos ataques de malware”, completa Shulmin.

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Fonte: ComputerWorld.

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